Aracaju 159 anos de vida…

Publicado em:blog- mar 17, 2014 2 Comentários

E Aracaju completa, hoje, 159 anos de idade, uma jovem senhora que enfrenta as mazelas cotidianas do crescimento acelerado e sem planejamento que afligem as grandes e médias e, até mesmo, as pequenas cidades brasileiras.

As soluções são muito mais simples do que podem parecer. Não existe bicho de sete cabeças…

Em primeiro lugar planejar o crescimento das cidades, prática abandonada no Brasil há décadas, por mais que tenhamos criado instrumentos legais para isso como o Estatuto das Cidades, aprovado em 2001.

Em seguida reinventá-las quanto ao uso voltando a saudável mistura das funções de morar, trabalhar e lazer, e praticar o escalonamento de horários de funcionamento, etc. Afinal, hoje em dia,  temos  tecnologias específicas para o trabalho à distância.

Essas seriam medidas primordiais para acabar com o problema da mobilidade, ou seja evitar grandes e demorados deslocamentos no território urbano.

E, por último, àquela, mais do que óbvia, solução do transporte público de excelência. O transporte público desumano que temos no Brasil é, hoje, a mais perversa forma de exclusão e o mais explosivo combustível, vide o Movimento Passe Livre que desencadeou os protestos de junho.

Só para contextualizar. Primeiro criamos as periferias, construindo os grandes e populares conjuntos habitacionais afastados do centro da cidade e, depois, lhes dotamos de péssimos transportes urbanos. No que poderia resultar esse modelo?

Precisamos trazer a classe trabalhadora para morar perto do seu local de trabalho e aí teremos acabado com qualquer problema de mobilidade urbana, sem precisar construir mais um viaduto, sequer!

Bom, mas voltando a nossa querida Aracaju, vivemos a cidade ideal, no ponto certo para adotar novos modelos de crescimento.

Esse é o nosso grande desafio: evitar repetir os modelos falidos de metropolização como Rio, São Paulo, Recife, Salvador. Ou seja crescer de forma sustentável (palavra extremamente desgastada pelo uso indevido).

Mas, de fato, o que seria isso?

Em primeiro lugar adensarmos a Aracaju tradicional, construindo moradias nos bairros já urbanizados como o Centro, Santo Antônio, Siqueira, Cirurgia, Salgado Filho, Grageru, Bairro Industrial, São José…Sítios mais bonitos e acessíveis da verdadeira Aracaju.

Hoje vivemos o paradoxo de estarmos construindo duas cidades paralelas: os Jardins e a Zona de Expansão, enquanto o Centro jaz com diversos imóveis à venda e para aluguel…E com preços irrazoáveis!

A dita zona de Expansão, inclusive, deveria ser considerada como área de preservação da paisagem natural da nossa cidade. Lá temos aquíferos que estão sendo contaminados e, o aterramento das lagoas está gestando uma catástrofe ecológica que já se prenuncia todos os anos: os grandes alagamentos. Precisamos rever urgentemente a sua forma de ocupação!

E novamente: transporte público de qualidade para todos!

Nós urbanistas defendemos, hoje, uma fórmula ‘mágica’ e infalível: desistimular  o uso do transporte individual, qualificar o coletivo, estimular a construção de moradias populares nas proximidades do trabalho e, no mais, andar a pé e de bicicleta por ruas arborizadas , fazendo compras no comércio local, sendo assim aos poucos precisaremos muito menos de complexas operações urbanas, academias de ginástica, remédios e terapias.

Isso sim é qualidade de vida. É ser sustentável… Precisamos reinventar novas formas de Viver Aracaju!


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  1. Responder analiborio says:

    Obrigada Gentil. Você é um dos mais apaixonados por nossa Aracaju!

  2. Responder analiborio says:

    Obrigada Dr. Miron e vamos ruma aos duzentos será que estaremos lá?