Uma Questão de Design

Publicado em:Mosaico, blog- jan 05, 2011 Nenhum comentário

Depois que o problema da comunicação móvel foi resolvido a indústria de celulares de tempos em tempos, em intervalos cada vez menores, nos apresentam novos lançamentos. São modelos com serviços revolucionários, até pouco tempo impensáveis, como fotografia ou internet.  Alguns tem tratamento dispensado a jóias.

Apesar do conforto prestado pelos novos serviços o que faz de cada modelo uma tentação a parte é, sem sombra de dúvida, o design. Afinal quem resiste a um  iphone? O design arrojado e futurista confere aos produtos, resultantes de avanço tecnlógico,  status de objeto de desejo condição fundamental para o sucesso de vendas. Parece óbvio, não? Mas nem tudo é o que nos parece.

A indústria automobilística pioneira no desenvolvimento da aerodinâmica provavelmente não seria a mesma sem a pesquisa estética da Ferrari ou Brasília sem as curvas de Niemayer. Só para citar dois exemplos famosos. Pergunte a qualquer criança qual o seu carro predileto  e ela responderá na lata : BMW.  Esse é o poder da propaganda escorado em marcas respaldadas sempre em boas doses de design.

Você pode ter um excelente produto, funcional, econômico e com qualidade. Ter todo o planejamento de marketing, propaganda e distribuição  resolvido, mas o que detonará a venda ? Numa época de concorrência acirrada, com a indústria lançando novidades o tempo inteiro, o produto com design poderá fazer a diferença.

Outro dia li uma matéria sobre o assunto onde se formulava a seguinte teoria: a humanidade após realizar a revolução científica no século XVII  (O Iluminismo), desenvolver a indústria nos séculos XVIII e XIX, a  comunicação digital nas últimas décadas do século XX e concluir o processo de globalização entrará agora na era do design e da forma, o que será o grande desafio, uma vez que a questão tecnológica estará dominada.

Uma luz no final do túnel para nós profissionais do desenho, do projeto. Nós vendedores de ideias nos deparamos no dia a dia com um mercado de trabalho ainda restrito. Poucos valorizam, aliás todos pensam que faz ou tem um amigo que pensa que faz ou considera item supérfluo.

No caso específico da arquitetura vemos vários empreendedores investirem em terrenos e obras caras com material de primeira, porém sem design, forma ou estilo; muitas vezes “boladas” por curiosos.  E o que é pior, acreditam estar fazendo economia. Muitos, inclusive, se vangloriam de não ter precisado nem pagar projeto…

As vezer penso que precisamos de um novo iluminismo. Mas felizmente algo começa a mudar e essa mentalidade, em época de competitividade exacerbada, perde a cada dia espaço. Em um mundo globalizado e sobrecarregado de lançamentos de novos produtos sobreviverão aqueles que investirem no desenho industrial.

O fenômeno  já vem se desenhando há anos com o arrojado design de alguns produtos. Os celulares são apenas a ponta de um iceberg. Mas a quantidade de feiras e mostras já não deixam mais dúvidas e o sucesso retumbante da Casa Cor em todos os estados, que alavancou o mercado de decoração, são um indício do que já começa acontecer. A proliferação de cursos e de profissionais do ramo como web designer, interior designer e designer de jóias só comprovam a tendência.

Mas não se engane quem pensa que design é apenas fazer algo bonitinho, não! Design é antes de tudo pesquisa tecnológica, invenção e inclui conhecimentos variados como antropologia, anatomia, ergonometria, enfim arte.

Os italianos herdeiros do legado greco- romano que o digam. Há anos que a Feira de Milão, vanguarda em desenho de mobiliário no mundo e na moda geram divisas e prestígio para o país.

Por sinal a moda, com os seus extravagantes estilistas , já investe no design desde o início e não é a toa que está sempre na última moda.


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