Tudo é uma questão de escolha…

Publicado em:Mosaico, Publicações, blog- jan 27, 2011 Nenhum comentário
Exemplo a ser seguido

Maceió à beira mar

Tudo ou quase tudo já se falou sobre o Plano Diretor de Aracaju, mas andando pelas demais capitais nordestinas não dá para deixar de refletir e traçar um incômodo  paralelo  sobre o modelo escolhido para o nosso desenvolvimento urbano.

A opção aracajuana pelo gabarito (altura dos edifícios) único para todo o território urbano nunca foi bem explicado. Desde 1976, a lei do Espigão, assim ficou conhecida, abriu o precedente para que se construam edifícios de doze, agora 22 andares, em qualquer parte da cidade, diferente do que acontece  na maioria das cidades onde existem restrições de altura pelo menos em algumas áreas específicas. Aqui padronizou-se a ocupação do território.

Explico melhor. Depois do ocorrido em Copacabana onde os altos e colados edifícios da Av. Atlântica acabaram com a ventilação no bairro,  passou-se a ter mais cuidado com os parâmetros urbanísticos. Pois é, a ocupação da famosa praia de Copacabana trouxe conseqüências desastrosas para a ventilação no Rio. E o super adensamento criou uma situação esdrúxula.

Dizem que se houver uma catástrofe no bairro e todos descerem dos edifícios, as ruas não suportariam o número de pessoas. Ainda no Rio, para se liberar o gabarito na Av. Vieira Souto, em Ipanema, foram feitas exigências rigorosas quanto aos afastamentos laterais dos edifícios.

Mas o Rio também não chega a ser exemplo, apesar de Ipanema ser um verdadeiro paraíso urbano, com suas largas calçadas, ruas super arborizadas e edifícios recuados. Um bom modelo a ser seguido.

Aracaju apesar de planejada para ser a capital moderna do estado, em substituição à medieval São Cristóvão, teve no Plano Pirro, risco original da cidade, um plano acanhado com ruas e calçadas estreitas mesmo para os padrões de época. Belém, por exemplo, na sua ampliação, ganhou ruas e avenidas mais generosas e preparadas para o futuro.

E é isso que choca em Aracaju. Essa insistência em não aprender com o passado ou experiências alheias. E o Plano Diretor aprovado as vésperas do terceiro milênio persistiu no equívoco.

Mas voltando as demais capitais nordestinas Recife e a sua famosa Boa Viagem que não é exemplo  a ser seguido, já apresenta graves problemas urbanos, inclusive de estabilidade dos edifícios.  Talvez sejamos nós amanhã.

Mas uma cidade  tem me chamado a atenção ultimamente, pelo menos no que se refere a ocupação à beira mar. É a nossa vizinha Maceió com seus belos e recuados prédios, largas calçadas arborizadas e com uma agradável escala humana de edifícios mais baixos.

Dá gosto de ver e flanar por ali e, apesar de não conhecermos a legislação adotada percebe-se, in loco, a qualidade da ocupação e os reflexos futuros para a cidade. Em certos trechos nos lembra os saudosos tempos em que Ipanema era só felicidade.

E como tudo não passa de  escolhas, quem sabe os nossos representantes vereadores, as vésperas da aprovação da revisão do Plano Diretor que agora tem o pomposo nome de Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano Sustentável, optem pelo melhor para a cidade e escolham uma escala urbana mais confortável para os cidadãos.

Em todo caso, nós eleitores, também podemos reavaliar nossas escolhas, afinal a eleição 2012 vem aí!


Deixe um Comentário