Modernismo aracajuano

Publicado em:Mosaico, Redescobrindo Sergipe, blog- jan 13, 2011 2 Comentários

Há dez anos atrás esteve em Aracaju, o jornalista  Wolf da Revista AU – Arquitetura e Urbanismo. Ele veio conhecer a cidade, mas o que mais lhe chamou atenção foram as residências modernistas.

Como sempre tive um interesse especial pelo tema, há muito venho me preocupando com a preservação das nossas casas “máquinas de morar”.

Se analisarmos, bem ou mal, dos casarões ecléticos já viemos cuidando há algum tempo, no entanto, as casas modernistas, geralmente espaços de qualidade, estão ameaçadas com adaptações grosseiras o que nos torna apreensivos com a memória da arquitetura dos anos 60.

Aracaju como toda cidade nova  padece do mal de ser considerada moderna e sem passado, só que da mesma forma que a máquina de escrever virou peça de museu e o moderníssimo “ipad” em breve preciosidade arcaica, com o modernismo não será diferente!

Hoje já somos pós modernos e a nossa arquitetura moderna que marcou época no desenvolvimento urbano da cidade requer cuidados especiais. Quando, em 80, ouvi pela  primeira vez o termo “post modern”, achei engraçado e pedante. Como poderíamos ser pós modernos se ainda  engatinhávamos na modernidade ?

O fato é que em seguida fomos bombardeados pela nova estética de Fassbinder a Frank Gehry e nós arquitetos  respiramos aliviados. Não era nada fácil projetar sob os rígidos cânones de Le Corbusier. Só quem se formou nos anos 70 tem dimensão das limitações criativas impostas pelo racionalismo funcionalista.

E o alívio foi geral, afinal podíamos brincar novamente com os símbolos: igreja voltou a ter cara de igreja, palácio de palácio pena que se exagerou na dose e hoje muitos arquitetos descambaram no fachadismo.

Perigo previsto por teóricos e, hoje, vemos ressurgir nas cidades criações fake, releitura dirão os articulados, e pipocam templos greco- romanos e no urbano surgem praças, onde em lugar de jardins arborizados, grandes pátios áridos com colunatas e pórticos incompreensíveis.

Quando vejo esses descaminhos sinto saudades das regras rígidas e do minimalismo moderno, onde todos elementos  tinham, antes de tudo, que ter função. Alguns antenados já provam os sabores da redescoberta. Por isso tão importante é se preservar esse acervo aracajuano sinônimo de qualidade.

Só no bairro São José e na Rua da Frente  existem inúmeras casas hoje ameaçadas por adaptações comerciais.

E pela cidade a Rodoviária Dr. Luiz Garcia e o Hotel Palace, contemporâneos de Brasília, não deixam dúvidas quanto a sua inspiração e contemporaneidade.

Que tarefa grandiosa temos pela frente !


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  1. Responder Josi Maciel says:

    Ana, se quiser, podemos “trocar figurinhas” a este respeito, estou reformulando meu projeto do mestrado sem perder de vista meu enfoque: a arquitetura moderna em Aracaju, especialmente as “residências da fase modernista”, listadas como “bens de interesse cultural” no PDDU. Como está sua preservação? O que a lei determina? Está sendo aplicada?…
    Estou, atualmente, mergulhando no universo de cada uma, bem como de seu atores – arquiteto/desenhista, engenheiro, proprietários… -, seus interesses… dentre outros aspectos.
    Estou disponível para bate-papos… principalmente quando avançar na dissertação. Abraço,
    Josi Maciel