A FORMA OU A FUNÇÃO

Publicado em:Mosaico, blog- fev 05, 2011 Nenhum comentário

Toda vez que vou ao interior e me deparo com a passarela construída na BR 101, nas proximidades da entrada de Aracaju, fico estarrecida com a sua pobreza formal. Construir passarelas em estradas é sempre louvável, mas sem descuidar da forma por favor. E aquela em especial me suscita uma velha questão: – O que é mais importante a forma ou a função ?

Dilema dos mais antigos da humanidade essa dúvida persiste até hoje, e talvez só perca para a eterna quem nasceu primeiro o ovo ou a …. Chega a ser filosófico e está longe de desfecho.

Essa discussão se arrasta há anos e enreda  criadores e executores numa polêmica estéril, que acredito, esteja no cerne da cisão das profissões de engenheiro e arquiteto. Se fôssemos recorrer ao anedotário das duas profissões não caberia nem num livro. Ressalvo, no entanto, que esta discussão também acontece no seio da arquitetura entre os racionalistas funcionalistas e os formalistas convictos.

Se fizermos um passeio ao passado a arquitetura, tem na história da humanidade o status de grande arte. É impossível subtraí-la deste papel. Quem nunca se rendeu aos encantos de Veneza ou se emocionou ao adentrar a basílica de São Pedro, a ponto de chorar com tamanha demonstração de monumentalidade?

Não podemos também ignorar que a forma muitas vezes surge na pesquisa da viabilidade de execução. Por exemplo, muitos dos elementos característicos das catedrais góticas surgiram em conseqüência de necessidades estruturais executivas. Ou ainda que, muitas das soluções construtivas existentes foram desenvolvidas na procura incessante de diferentes formas. Portanto forma e função andam juntas e são meio que indissociáveis.

No entanto a simplificação da forma é, em muitos dos casos, imperativo  para a adequação de custos nos empreendimentos modernos. Tudo bem, só não podemos de jeito nenhum exagerar na dose e correr o risco  de sofrer de anemia criativa, àquela  que resulta numa arquitetura pobre e cidades feias.

Imagina se o custo fosse para Juscelino o mais importante na execução de Brasília?  Talvez não tivéssemos o genial Niemayer e Brasília não fosse, hoje, Patrimônio da Humanidade. E voltando ao início, se não fosse Joaquim Cardoso, engenheiro calculista de Brasília, talvez Niemayer tivesse que ser mais modesto, não abusar das formas e aí não existiria a Brasília que conhecemos.


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